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Além do Boleto: O diálogo franco que salva a instituição.

  • há 19 horas
  • 3 min de leitura


Nos primeiros meses de 2026, entramos em um período de análise crítica para a sustentabilidade de qualquer Instituição de Ensino Superior (IES). Como gestores, precisamos compreender a evasão não é um evento súbito, mas um processo com marcos temporais distintos. Há uma diferença vital entre o “divisor de águas “acadêmico e financeiro. Ignorar essa distinção é o primeiro passo para o esvaziamento silencioso das salas de aulas.


Mês de Março é o divisor das águas comportamental e pedagógico. É o momento do “choque de realidade”, onde o entusiasmo da matrícula encontra a densidade do conteúdo e a primeira bateria de avaliações. É em março que o aluno emite sinais precoces: a queda na frequência, o isolamento em trabalhos em grupo e o desengajamento nas plataformas digitais.

Já o mês de abril atua como um divisor de águas financeiro e administrativo. É quando o aluno, muitas vezes já desconectado emocionalmente da Instituição desde março, formaliza sua saída ao enfrentar o vencimento das mensalidades. Se esperarmos o relatório de abril para agir, realizaremos apenas a “autópsia” de uma evasão que já aconteceu no campo pedagógico semana antes.

Para Fundamentar esse diálogo, precisamos olhar para os números do 16º Mapa de Ensino Superior (Instituto SEMESP). A taxa de evasão na rede privada presencial situa-se em 26,6%, mas o dado que realmente deve pautar nossas reuniões de conselho é a desistência acumulada (ciclo de 5 anos): assustadores 64,7%.


Ao categorizarmos os motivos dessa saída, os dados descontroem o mito de que “o problema é apenas o boleto”.



A conclusão é matemática e urgente: Enquanto 35% da evasão foge do controle direto, os 65% dos motivos de saída residem em falhas que podemos corrigir internamente.


Não podemos tratar evasão como uma “fatalidade econômica”. Precisamos de uma conversa honesta entre Reitores, Pró-reitora Acadêmica, Coordenadores e professores sobre:

1.      A Matriz Curricular:  corremos o risco de estar ensinando para o mercado de 2026 e replicando modelos de 2010? Se o aluno não percebe o ROI (retorno sobre o Investimento) do seu tempo, ele abandona a jornada.


2.      O Acolhimento do Ingressante: O aluno com lacunas de aprendizado. Se a abordagem inicial for excessivamente burocrática ou distante, a instituição torna-se um obstáculo, não um suporte.


3.      O “Efeito Dominó” Financeiro: Como CFO, entendo que a inércia acadêmica destrói o caixa. Uma turma que encolhe em março torna-se deficitária em abril, comprometendo investimentos em laboratórios e na própria folha de pagamento.


Para reverter esses índices, a inteligência Artificial deve ser nossa sentinela. Ferramentas como Civitas Learning, Dropout Detective e sistemas de Análise de Sentimento permitem identificar o “Churn Educacional” (taxa de rotatividade ou perda de alunos), ainda em Março. Monitorar o engajamento e a frequência em tempo real não é mais um luxo tecnológico, mas uma necessidade de sobrevivência financeira.


Como defende Vincent Tinto, referência em retenção Estudantil: “ O aluno não abandona apenas a faculdade; ele abandona uma comunidade da qual não se sente parte”.


Nossa missão nestes dois meses finais de semestre é fortalecer essa comunidade. Se não agirmos sobe os sintomas acadêmicos de março, o financeiro de abril será apenas o relator de uma perda que poderia ter sido evitada com diálogo franco, acolhimento e ajuste de rota.


Deixo a provocação aos colegas gestores: onde a sua Instituição está focando suas energias hoje? Na recuperação de boletos de abril ou no resgate do propósito acadêmico de março?


Autor: Prof. Me. Renato Camargo de Mendonça | Diretor UniPinhal


 
 
 

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