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Escrevendo com Caneta

TCC

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Descrição física:

TCC

História

O anticomunismo e a perseguição de lideranças populares em Espírito Santo do Pinhal no contexto do golpe militar de 1964

12 f.

Número de chamada:

TCC/Unipinhal

Idioma:

Português

Publicação:

Espírito Santos do Pinhal, SP, [s.n.], 2025

Ano:

2025

Assunto:

Autores:

Orientador:

Ditadura militar ; Anticomunismo ; Golpe de 1964 ; Getúlio Spinelli ; Espírito Santo do Pinhal ; Sindicalismo

Abreu, Gabriela Fernanda Onofre de

Valeria Aparecida Richa Tores

Resumo:

A Guerra Fria estabeleceu uma rivalidade ideológica global entre capitalismo e comunismo, na qual os Estados Unidos se valeram de um "anticomunismo apocalíptico" para manter sua supremacia. No Brasil, a ideia do comunismo como uma ameaça à soberania, à família e aos valores cristãos foi amplamente explorada após a Revolução Cubana, sendo alimentada pela mídia, setores empresariais e a Igreja Católica. Essa narrativa, que descreve o comunismo como "obra de Satanás" e inimigo da fé, serviu como principal justificativa para o golpe civil-militar de 1964. O regime militar, ao longo de 21 anos, utilizou o anticomunismo para perseguir sistematicamente opositores, sindicatos e qualquer indivíduo que defendesse ideias de reforma social, rotulando-os como "subversivos". O objetivo deste trabalho é analisar como o discurso anticomunista foi utilizado para legitimar o golpe de Estado em nível local, focando no município de Espírito Santo do Pinhal (SP). Para isso, analisa-se a Ata da Câmara Municipal de 02 de abril de 1964, que celebrou a deposição do presidente João Goulart como um ato patriótico que evitou a "implantação do comunismo". A pesquisa detalha a perseguição política contra Getúlio Spinelli, vereador pelo Partido Democrata Cristão (PDC) e ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, reconhecido entre os trabalhadores. Um inquérito policial foi aberto contra o sindicato em meio ao clima repressivo, buscando indícios de materiais subversivos e "agitadores". Posteriormente, uma tentativa de cassação de seu mandato foi proposta por um suplente, alegando "subversão e manifestações e atos comunistas". Os argumentos de cassação baseavam-se em acusações frágeis de coação durante uma greve anterior, não comprovadas. Em sua defesa, Getúlio Spinelli usou um forte apelo à fé cristã e à moral religiosa, comparando sua perseguição à de Cristo e rebatendo as acusações como "trama urdida por inimigos gratuitos" e manipulação política. A Câmara Municipal rejeitou o projeto de cassação do mandato de Getúlio Spinelli por 8 votos contra 5. A sua posterior eleição para a presidência do sindicato, em dezembro de 1964, demonstrou que seu prestígio não foi abalado. Conclui-se que o caso de Getúlio Spinelli é um exemplo significativo de como a retórica anticomunista, permeada por valores morais e religiosos, foi uma estratégia do regime militar para criminalizar lideranças populares e consolidar o governo autoritário, mesmo que a resistência democrática tenha prevalecido no âmbito local

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