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A Inteligência Financeira por trás da Retenção: A Integração entre o Acadêmico e o Financeiro

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

A gestão desempenha um papel fundamental na continuidade e sustentabilidade das Instituições de Ensino Superior (IES). Para que essa engrenagem funcione plenamente, não podem existir “ilhas”. É impossível separar o Acadêmico do Financeiro; ambos possuem pesos e medidas que devem ser analisados estrategicamente, transformando o operacional de cada setor em uma força única de trabalho.


Como Diretor Financeiro, aprendi que a evasão é um sintoma doloroso. Existem bastidores complexos para garantir que o aluno se apaixone pela instituição e pelo curso que escolheu. Sob as óticas financeira e econômica, a conta mais cara não é a folha de pagamento ou a infraestrutura; é a cadeira vazia. Se o aluno não percebe o retorno sobre o investimento (ROI) do seu tempo e dinheiro, ele racionalmente corta gastos. É uma decisão financeira baseada na percepção de valor.


Como bem disse Peter Drucker, o pai da administração moderna:

"A qualidade de um produto ou serviço não é o que o fornecedor coloca nele. É o que o cliente obtém dele e pelo que está disposto a pagar."


Dados do Semesp demonstram que perdemos até 30% dos alunos logo no primeiro ano. O fluxo de caixa "sangra" ao suportar um Custo de Aquisição (CAC) elevado, visto que o retorno financeiro de um estudante geralmente só ocorre a partir do segundo ou terceiro ano de curso. Evadir cedo significa consolidar um prejuízo que pode perdurar por todo o ciclo da graduação.


No ensino presencial, a cadeira vazia representa o maior prejuízo operacional de uma IES. Ela simboliza um marketing que funcionou, mas uma entrega que falhou. Monitorar a frequência e o engajamento físico via Inteligência Artificial não é "controle de portaria", é gestão de ativos. O aluno não é um boleto a ser quitado mensalmente; ele é o ativo intelectual mais precioso da instituição.


Nesse sentido, não podemos gerir a instituição olhando apenas pelo retrovisor, onde enxergamos apenas a inadimplência e a evasão que já se consolidaram. Precisamos focar no para-brisa, utilizando ferramentas preditivas para antecipar comportamentos e mitigar riscos antes que a possível evasão se torne um prejuízo definitivo no caixa. É neste ponto que a IA deixa de ser apenas “tecnologia” e torna-se proteção de receita.


A evasão nunca acontece no dia em que o aluno procura a secretaria para trancar a matrícula; ele começa a dar sinais muito antes. Professores e coordenadores devem estar atentos ao desengajamento silencioso. O sinal de alerta mais forte costuma ser a inatividade no acesso ao portal (normalmente entre 5 a 7 dias). Outro alerta crítico no presencial é a mudança no padrão de assiduidade: o aluno que era presente e começa a faltar em dias determinados, ou deixa de frequentar a biblioteca, ainda que virtual.


O papel do CFO moderno não é apenas contar o dinheiro que entra, mas garantir que a entrega pedagógica seja tão valiosa que o aluno sinta que está perdendo um grande ativo se decidir sair. A inovação é o maior seguro contra a insolvência.


Por isso, afirmo: Financeiro e Acadêmico devem ser um só grupo. O professor deve estar atento para entender por que o aluno está faltando. O TI pode monitorar o tempo de acesso ao portal, enquanto o Financeiro orienta o Coordenador sobre atrasos nas mensalidades. Tudo isso deve ser investigado de forma sutil e acolhedora, antes que o vínculo se quebre.


Quando trabalhamos com o “saber resolver”, o aluno tende a permanecer até o final. Ele fica porque sente que está se tornando competente para enfrentar o mercado. Quando o aluno aprende a resolver problemas reais, ele enxerga valor imediato na mensalidade. O conhecimento deixa de ser um “gasto passivo” e vira um “investimento ativo”.


Enquanto o Brasil discute “cortes de gastos”, líderes globais na Finlândia e em Singapura discutem “investimentos em competências”. Eles entenderam a lógica mais simples da nossa gestão: aluno satisfeito e preparado é aluno adimplente.


"A cadeira vazia é o custo mais alto de uma instituição, mas a solução não está no setor de cobrança, e sim na integração estratégica. Na sua IES, o Financeiro e o Acadêmico jogam no mesmo time ou ainda vivem em ilhas isoladas?"


Autor: Prof. Me. Renato Camargo de Mendonça | Diretor UniPinhal

 
 
 

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